{ "data": [ { "event_name": "Purchase", "event_time": 1666564385, "action_source": "email", "user_data": { "em": [ "7b17fb0bd173f625b58636fb796407c22b3d16fc78302d79f0fd30c2fc2fc068" ], "ph": [ null ] }, "custom_data": { "currency": "BRL", "value": 1.99 } } ] "test_event_code:" "TEST28022" }
top of page

Funk Do Proibidão Ao Hype


Foto: Getty Images



No último domingo dia 28/08/2022 a superstar Anitta fez história ao tornar-se a primeira artista brasileira a receber um prêmio no VMA (MTV Video Music Awards) que é uma das maiores premiações da música americana criada em 1984 pela MTV. Ela eletrizou o palco com uma atuação de "Envolver" minutos antes de ganhar o prêmio de Melhor Clip de Música Latina pela mesma música.



Anitta reforçou a sua origem em seu discurso.


"Esta noite toquei aqui um ritmo que no meu país por muitos anos foi considerado um crime", disse ela. "Nasci e cresci no gueto do Brasil. Para quem nasceu lá, nunca imaginaríamos que isso fosse possível. Então, muito obrigado."




O momento é realmente histórico porque não é de hoje que Anitta utiliza sua imagem como artista consagrada pelo funk para defender o ritmo periférico que desde sua origem foi criminalizado, considerado como “falsa cultura” e até como um crime de saúde pública.


Em 2017, quando tramitava a proposta de criminalização do funk na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, Anitta ficou furiosa quando viu um tweet afirmando que a proposta de Alonso o redator da proposta havia recebido apoio suficiente para ser enviada ao Senado e se manifestou em seu Twitter.


“Educação, queridos. Invistam em educação primeiro. Eu não quero nem imaginar a bagunça que viraria esse país se um absurdo desses é colocado em prática. Tá tudo ok com o Brasil já? Achei que tivesse coisa mais séria pra se preocupar do que com um ritmo musical que muda a vida de milhares”, continuou. “O funk gera trabalho, gera renda… para tanta gente. Uma visitinha nas áreas menos nobres do nosso país e vocês descobririam isso rápido”, disse, mandando o recado.






Isso tudo porque muitas letras de funk que conhecemos escancararam o retrato real do estilo de vida de muitas periferias, também expõe a relação cotidiana que muitos jovens periféricos têm com a violência, racismo, discriminação e de todos os reflexos das desigualdades que muitos gostariam de esconder ou fingem não existir.


"Não é que eu tô menos inteligente

Hoje eu tô mais inteligível

Eu falo de um jeito que o povo entende

A arte é pra ser combustível"


A música é uma forma de expressão, artística, social, intelectual, cultural e política e não existem dúvidas de como a música é crucial para o desenvolvimento intelectual, social, cultural (seria legal se for possível vê outra maneira de dizer sem repetir)e até econômico de quem está direta ou indiretamente ligada a ela, além da sua capacidade de contribuir com o desenvolvimento das comunidades periféricas de várias maneiras.


Na maioria dos casos os artistas do funk e outros ritmos originados nas favelas e periferias do Brasil como o Rap, Hip Hop, Trap, pagode entre outros, são artistas autodidatas que criam obras com alto valor artístico e estético sem ter passado por grandes escolas de arte, outro aspecto crucial do funk e dos ritmos periféricos é que eles são intuitivos e abordam questões pertinentes ao seu território de vivências e refletem suas crenças, hábitos e comportamentos. O artista periférico cria seu próprio mundo, como reflexo das suas aspirações e do seu cotidiano e muitos encontram na música a esperança de transformar suas histórias de vidas.


O grande dilema é:


A música que narra a realidade muitas vezes esquecida pela chamada "elite" não se parece com os valores universalizados pelo que muita gente ainda considera como arte e a vilanização do estilo também nos ajuda a entender como a cultura negra na América afro-latina é representada pela ótica da violência e da criminalidade e esse mesmo problema atravessa gerações.


Estilos que já foram proibidos no Brasil


A república velha sentia que o samba estava manchando a imagem do Brasil no início do século 20, porque se acreditava que o samba era originário dos africanos marginalizados que viviam no Brasil após a abolição da escravatura. Qualquer um que tocasse ou dançasse samba nas ruas era preso pela polícia. Em 1917, o samba foi popularizado pela canção de Donga "Pelo Telefone", o primeiro samba gravado, e foi assim que as coisas mudaram.




No final do século XIX, a capoeira foi proibida no Brasil depois que os escravos desenvolveram um estilo próprio de luta misturado com movimentos de dança. Após a abolição, o governo estava preocupado que os ex-escravos pudessem se revoltar, então a capoeira foi banida. Em 1937, a capoeira foi finalmente reconhecida como uma espécie de dança e performance após a sua proibição ter sido finalmente levantada.


No início dos anos 2000 a criminalização do funk mudou de uma rejeição social para uma rejeição legal. No passado, a polícia usou os artigos 286 e 287 da lei de 'crimes contra a paz pública' do código penal para acusar e encarcerar rappers. Em 2009, foi aprovada a Lei 5.543 para proibir qualquer discriminação ou preconceito contra o baile funk. Só então o governo começou a "proteger" o gênero.



A proposta de autoria do então Deputado Marcelo Freixo e Paulo Melo introduziram uma nova lei, 5.543, que definiu o funk como um movimento musical e cultural popular e exigiu que o governo brasileiro tratasse de todas as questões relacionadas ao funk. A lei proíbe a discriminação social, racial e cultural, assim como a discriminação do funk e mesmo com as tentativas ainda não forneceu garantias para evitar a ostensiva e violenta ação policial que costuma vitimar jovens pretos e periféricos como aconteceu. em 2019 quando nove jovens morreram pisoteados durante uma ação da Polícia Militar no Baile da 17, que reúne milhares de jovens em Paraisópolis uma das maiores favelas da capital de São Paulo.


Esses crimes foram cometidos contra jovens negros porque são desumanizados e condenados a conviver com a indiferença e com a negligência da polícia e dos poderes públicos.


Hoje, diversos subgêneros ajudou a popularizar o ritmo e grandes nomes da cena alcançaram o mainstream como: Valeska Popozuda, Ludmilla, Anitta entre outros, com isso a "eliteficação" do funk também ajudou a promover o estilo, muito por causa de sua capilaridade dentro das periferias de onde vivem cerca de 17,1 milhões de brasileiros, juntas todas as favelas representaria o quarto estado mais populoso do país depois de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, respondendo por 8% da população nacional. Fonte: Data Favela e Instituto Locomotiva


É um eterno dilema entre:


Negação

A negação da existência dos problemas sociais que não oferece recursos e forćam uma grande parte da população a conviver quase que diariamente com a violência que existe nos espaćos periféricos,

Reconhecimento

E a legitimação da música periférica que desenvolve sua própria linguagem de expressão para se manifestar, expor sua realidade e estilo de vida com uma clara mensagem de crítica política e social.














13 visualizações0 comentário

Comentários


  • Facebook
  • LinkedIn
  • Spotify
  • Instagram
bottom of page